A procura pela ioga infantil tem aumentado a cada ano. Só a Omnisciência – fundada em 2004 e ligada a um dos mais respeitados centros de ioga do mundo, a Self Realization Fellowship – já orientou mais de 1500 crianças. “Se incluirmos outros lugares em que atuamos, como escolas e espaços culturais, o número sobe para 7500”, diz a professora de meditação Maeve Vida, que instrui os pequenos dos 3 aos 9 anos.

E o melhor: a ioga os atrai porque as aulas são incrivelmente lúdicas – sim, nenhuma criança experimenta posturas complicadas ou fica decorando palavras em sânscrito. “Minha filha é muito ativa e curiosa, mas tinha dificuldade em fixar a atenção”, diz Érica Li, mãe de Maria. “Eu a coloquei na ioga para que se concentrasse mais. Achei que ela não aguentaria nem 5 dos 40 minutos da aula e me surpreendi ao vê-la curtindo as atividades. Em um mês, a concentração dela melhorou, parece que ficou mais focada. Notei nas brincadeiras, porque Maria passou a ficar mais tempo fazendo a mesma coisa.”

Corpo, mente e emoções

Além da noção equivocada de que praticar ioga é viver no mundo da lua, outra ideia errônea é associá-la com religião. “Ioga tem a ver com espiritualidade – a palavra vem do sânscrito yug, que quer dizer união – e busca o equilíbrio entre corpo, mente e emoções”, explica Krishnapriyananda Saraswati, mestre de ioga. “A ioga surgiu na Índia há 50 séculos e foi codificada entre 200 a.C. e 400 d.C. por um personagem meio real, meio fictício, chamado Patânjali”, conta.

Bom organizador, Patânjali estabeleceu oito grandes fundamentos para sua escola de ioga. Princípios éticos e morais, posturas físicas, exercícios respiratórios, atenção no mundo interno, concentração, meditação e realização da meta, cada um com o respectivo nome complicado em sânscrito. É no fundamento dos princípios éticos – que são cinco: não-agressão, verdade, honestidade, desapego e controle dos sentidos – que se baseia a educação das crianças indianas e as aulas de ioga para os ocidentais. “A não-agressão ou ahimsa é a primeira noção que elas aprendem e significa não causar sofrimento a nenhum ser, incluindo a si mesmo – seja através de palavras, pensamentos ou ações”, esclarece Krishnapriyananda.

Mais um ganho importante para as crianças: a ioga estimula a consciência corporal. “Os gestos e posturas trabalham a psicomotricidade, a coordenação motora e a lateralidade”, aponta a pedagoga, professora de ioga e terapeuta corporal Vania Lucia Slavero, de Curitiba. Além disso, os ensinamentos de Patânjali proporcionam aos pequenos uma visão de mundo muito mais amorosa. “Sempre encerramos a aula imaginando uma fada que lança um pó mágico de amor nas pessoas ao nosso redor, nos bichos, e vamos ampliando para a cidade, para o planeta, enchendo tudo desse sentimento. Essas coisas as crianças não esquecem mais. São vivências que viram valores”, diz Andrea Matos, professora de ioga no Espaço Interno, de São Paulo.

Fonte – Revista Vida Simples

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