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Em um vilarejo, na cidade de Bengali, Índia, vivia uma pobre viúva.

Seu filho tinha de ir à escola na aldeia vizinha, mas para chegar lá ele precisava atravessar uma floresta que o assustava.

– Mamãe, tenho medo de atravessar a floresta sozinho. Por favor, peça para alguém fazer isso comigo.

A mãe respondeu:

– Filho, não temos como pagar alguém para que te acompanhe na ida e na volta da escola.  Peça a seu irmão Krishna que fique com você durante os trajetos. Ele é o Senhor da floresta e atenderá ao seu pedido.

No dia seguinte, caminhou até a beira da floresta e chamou por seu irmão Krishna, que respondeu:

– O que deseja, filho?

– Pode vir comigo à escola todos os dias e me acompanhar na volta para casa? Tenho medo de atravessar a floresta sozinho…

– Sim, terei grande alegria em fazer isso por você.

E assim, todos os dias de manhã – bem cedo – e à tarde, Krishna esperava pelo menino para acompanhá-lo.

Quando chegou o dia do aniversário do professor, esperava-se que todas as crianças levassem um presente ao mestre, mas a mãe do menino lhe disse:

– Filho, não temos condições de comprar um presente para o seu professor. Peça a seu irmão Krishna para ajudá-lo com isso.

– Bem, quem sabe, na realidade, eu tenha algo – talvez seu professor aceite”. Ele desapareceu por um momento para trás das árvores e, quando voltou, estava carregando uma pequena tigela de coalhada.  “Isto é tudo que tenho. Apresente ao seu professor.”

O menino correu para a escola.  Os estudantes todos tinham se juntado em frente do professor, entregando os muitos presentes que seus pais tinham preparado com cuidado. A pequena tigela de coalhada parecia tão lamentavelmente insignificante entre os pacotes de tecidos delicados, alimentos saborosos e grandes cestas de frutas maduras, que ninguém nem mesmo dava uma olhadela para a coalhada. Lágrimas rolaram furtivamente e em silêncio pelas bochechas do garoto, porque pensava ser o seu um lindo presente.

O professor da escola, que tinha um coração bondoso, notou que o menino chorava e acenou para ele se aproximar.  Pegou a tigela e, com uma expressão de agradecimento, derramou a coalhada num pote grande, pensando em devolver a tigela à pobre viúva, quem, ele refletiu, tinha presenteado da melhor forma que podia.

Mas, enquanto ele, sorrindo, dava a tigela para o menino, uma coisa estranha aconteceu.  A tigela vazia ficou de repente cheia de coalhada de novo.  O assustado professor apressou-se a esvaziar seu conteúdo derramando-o no pote maior; porém, tão rápido quanto ele derramava a coalhada na sua vasilha, o pequeno pote de barro do vaqueiro ficava cheio de novo, de alguma fonte inesgotável.

Os assombrados garotos da escola exclamaram: “De quem é esse presente?  Onde você conseguiu essa tigela maravilhosa?”

– Foi o irmão Krishna que a deu para mim.

– Irmão Krishna? Quem é esse seu Irmão Krishna?

– É o Senhor da Floresta. Todos os dias ele me acompanha na ida e na volta da escola.

O Mestre duvidou:

– Vamos todos ver esse seu irmão Krishna.

Quando chegaram no local, o menino começou a chamar pelo irmão, mas o Senhor da floresta, que sempre surgia rapidamente, não apareceu naquele dia.  Tudo o que se ouvia, era o eco do garoto chamando por seu irmão Krishna.

Por favor, irmão Krishna, venha. Se não aparecer, não acreditarão em mim… estão me chamando de mentiroso. Venha, irmão Krishna.

– Meu pequeno irmão, eu apareço imediatamente àqueles que me chamam com fé e inocência; porém, não posso mostrar minha face ao seu cético professor. Deixe que ele olhe para dentro do seu próprio coração e saberá por que não me vê com seus próprios olhos.

 

 

 

 

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