Janmashtami é a data em que se comemora o nascimento de Krishna, importante figura do Oriente que – como Jesus – é contada por meio de mistérios e metáforas das escrituras e da mitologia. No caso dele, indianas. A celebração acontece no 8º dia de lua minguante do mês de Bhadon (que corresponde a agosto/setembro), variando de ano para ano.

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Krishna nasceu em uma prisão na cidade de Mathura, onde os pais – Vasudeva e Devaki – eram mantidos em cárcere pelo perverso irmão de Vasudeva, Kansa, que havia roubado o trono do pai. À época,  um decreto que determinava a morte de todos os recém-nascidos do sexo masculino estava em voga, mas um episódio surpreendente narra a forma com que Vasudeva conseguiu salvar seu filho do fatídico evento: assim que Devaki teve Krishna em seus braços, miraculosamente, as portas trancadas da cela se abriram e os guardas caíram ao chão, em profunda letargia, permitindo que a criança fosse levada sem qualquer violência.

O destino escolhido pelo pai foi uma localidade pastoril em Gokula, próximo a Brindaban, às margens do rio Yamuna. Um casal bondoso o acolheu durante os seus primeiros anos: O pastor Nanda e sua esposa Yasoda. Desde muito pequeno, Krishna já impressionava pela sabedoria precoce e exibição de poderes “mágicos”. Era levado, como qualquer criança saudável, e uma passagem especial de sua infância dá a dimensão de sua grandiosidade espiritual.

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Yasoda e Krishna

Fazia parte da traquinagem do menino surrupiar o queijo que as queijadeiras preparavam diariamente em sua comunidade. Uma vez, no entanto, Krishna encheu a boca em excesso e Yasoda temeu que ele sufocasse. Imediatamente, ela abriu a boca do garoto e – contam as narrativas populares – que era terra o que comia. Yasoda, ao olhar para a boca aberta, pôde contemplar  todo o universo. Ela então se deu conta de que aninhava em seus braços alguém muito especial.

Ainda jovem, Krishna retornou a Mathura e libertou os pais da prisão ao derrotar Kansa. Depois de receber, no ashram (eremitério) do sábio Sandipini, a educação formal, assumiu as responsabilidades de um rei e envolveu-se em campanhas contra governantes perversos. Sua mais famosa vitória se deu na batalha de Kurukshetra (contaremos no item a seguir) junto aos Pandavas e aos Kuravas. Krishna esteve envolvido em muitas questões entre eles, atuando como aliado e conselheiro.

Depois de cumprir a missão aqui na Terra, que havia sido designada por Deus, ele se retirou para a floresta. Ali, deixou o corpo em resultado de uma ferida acidental provocada pela seta de um caçador que, por engano, o confundira com um cedro – enquando ele repousava numa clareira.

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Com as melodias encantadoras de sua flauta celestial, Sri Krishna está chamando todos os devotos para o abrigo da união divina no Samadhi da meditação, para ali se banharem no bem-aventurado amor de Deus.

Paramahansa Yogananda em A Yoga do Bhagavad Gita

 

O grande legado dessa importante figura da humanidade é ter nos deixado a divina mensagem da Yoga: o caminho da atividade correta e da meditação para a comunhão divina e a salvação. Como citamos anteriormente aqui neste blog, na publicação intitulada “O significado da vida de Krishna para o homem moderno”, toda a trajetória do mestre oriental é inspiradora pelo fato de nos mostrar que não é necessário fugir das responsabilidades da vida material para alcançarmos novos degraus na senda espiritual. Os problemas podem ser resolvidos trazendo Deus para cá, onde Ele nos colocou, como Yogananda, ainda em “A Yoga do Bhagavad Gita”, explicou: “Não importa qual seja nosso ambiente, O Céu tem de vir à mente em que reina a comunhão com Deus.”

 

O papel de Krishna na guerra de Kurukshetra

*Trecho extraído do livro “A Yoga do Bhagavad Gita”, de Paramahansa Yogananda

Os cinco príncipes Pandavas e a centena que compunha a progênie dos Kauravas foram criados e educados juntos, recebendo a orientação de seu preceptor Drona. Arjuna era superior a todos em habilidade; ninguém conseguia igualá-lo. Surgiu inveja e inimizade entre os Kauravas contra os Pandus. (…)

A seu tempo, a disputa entre os Kurus e os Pandus a respeito do governo do reino chegou ao clímax. Duryodhana, ardendo em invejoso desejo de supremacia, engendrou uma esperteza: um jogo de dados fraudulento. Por meio de astuciosa maquinação elaborada por Duryodhana e seu perverso tio Shakuni, artista consumado na fraude e no logro, Yudhisthira [o irmão mais velho dos Pandavas] foi derrotado, lance após lance, e finalmente perdeu seu reino, depois a ele mesmo e seus irmãos e, em seguida, a Draupadi, esposa deles. Desse modo, Duryodhana roubou aos Pandus o reino deles e fez com que fossem para o exílio por doze anos na floresta e passassem um décimo terceiro ano disfarçados, sem serem reconhecidos. Depois disso, se sobrevivessem, poderiam voltar e reivindicar seu reino perdido. No momento aprazado, os honestos Pandus, tendo cumprido todas as condições de seu exílio, voltaram e exigiram seu reino; mas os Kurus se recusaram a abandonar sequer um pedaço de terra que fosse do tamanho de uma agulha.

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Quando se tornou inevitável a guerra, Arjuna, da parte dos Pandus, e Duryodhana, da parte dos Kurus, foram em busca do apoio de Krishna à sua causa. Duryodhana chegou primeiro ao palácio de Krishna e sentou-se arrogantemente à cabeceira do leito em que Krishna estava repousando, fingindo dormir. Arjuna chegou e ficou humildemente de pé, de mãos postas, aos pés de Krishna. Quando o avatar abriu os olhos, foi portanto Arjuna que ele viu primeiro. Ambos pediram a Krishna que ficasse com eles na guerra. Krishna declarou que um lado teria seu enorme exército e o outro lado teria ele próprio como conselheiro pessoal – porque, contudo, ele não pegaria em armas no combate. Foi dado a Arjuna ser o primeiro a escolher. Sem hesitar, ele sensatamente escolheu o próprio Krishna; o ambicioso Duryodhana regozijou-se em ficar com o exército.

Antes da guerra, Krishna serviu como mediador, para tentar resolver a disputa de maneira amigável, viajando de Dwarka para Hastinapura, a capital dos Kurus, a fim de persuadir Dhritarashtra, Duryodhana e os outros Kurus a devolverem aos Pandavas o reino que de direito era deles. Mesmo ele, entretanto, não foi capaz de levar Duryodhana, enlouquecido pelo poder, e seus seguidores a aceitarem uma decisão justa, e foi declarada a guerra. O campo em que se deu o conflito foi Kurukshetra. O primeiro versículo do Bhagavad Gita começa na véspera dessa batalha. No final, ocorreu a vitória dos Pandus. Os cinco irmãos reinaram com nobreza sob a suserania do mais velho, Yudhisthira, até que, no final de suas vidas, retiraram-se para o Himalaia e, ali, entraram nos domínios celestes.

A batalha de Kurukshetra é narrada no épico indiano “Mahabharata” (http://www.omnisciencia.com.br/o-mahabharata/p), do qual faz parte o Bhagavad Gita – principal escritura sagrada hindu. Detalhes sobre a simbologia do evento podem ser obtidos no já citado “A Yoga do Bhagavad Gita” (http://www.omnisciencia.com.br/a-yoga-do-bhagavad-gita/p), do mestre iogue indiano Paramahansa Yogananda.

 

Inspirações sobre Krishna

*Trechos extraídos do livro “A Eterna Busca do Homem”, de Paramahansa Yogananda

“Mestre é alguém que refinou sua consciência para receber e refletir perfeitamente a luz de Deus. O sol brilha igualmente sobre um pedaço de carvão e um diamante, mas só o diamante reflete a luz solar. A luz de Deus também brilha igualmente em todos as fases da vida, mas em algumas o reflexo é mais forte que em outras.  O homem de realização reflete plenamente a luz divina.”

 

“Em algum lugar, em alguma época, encarnações divinas como Jesus Cristo e Jadava Krishna desenvolveram a estatura espiritual que as predestinou nascerem como avatares. Livres das compulsões cármicas do renascimento, esses seres regressam à Terra só para ajudar na libertação da humanidade.”

 

“Saber que os avatares divinos, para se tornarem perfeitos, já tiveram de passar pelos mesmos tipos de provas e experiências humanas por que passamos nos dá esperança em nossa própria luta.”

 

Fontes:

A Eterna Busca do Homem: https://goo.gl/Vqoqn4

A Yoga do Bhagavad Gita: https://goo.gl/ndFc8f

Todos os livros de Paramahansa Yogananda em português: https://goo.gl/x9gMhD

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