Quem foi Sri Yukteswar?

*Trecho extraído do livro “A Ciência Sagrada” 

Swami Sri Yukteswar Giri, exemplo ideal da antiga herança dos rishis iluminados  da Índia, é venerado como Jnanavatar (“encarnação da sabedoria”) por milhares de pessoas em todo o mundo, inspiradas que foram por sua vida e ensinamentos. Ele manifestou o autodomínio e a realização divina que têm sido a meta suprema dos que buscam a Verdade em todas as épocas.

O começo de sua vida

Nascido em 10 de maio de 1855, em Serampore (perto de Calcutá), com o nome de Priya Nath Karar, Swami Sri Yukteswar era filho único de Kshetranath e Kadambini Karar. Seu pai, Kshetranath, era um rico negociante, e a família possuía várias propriedades de terra na região.

Mesmo quando ele era menino, o intelecto incisivo de Priya e sua sede de conhecimento eram evidentes. Todavia, como é comum entre os grandes gênios, ele considerava a educação formal mais um obstáculo do que um auxílio; seu estudo acadêmico, portanto, não foi extenso.

Kshetranath Karar faleceu quando seu filho era ainda criança. Consequentemente, com pouca idade Priya Nath teve que assumir a responsabilidade pela administração das propriedades da família. No começo da vida adulta ele se casou, mas sua esposa morreu poucos anos mais tarde; e sua filha única faleceu ainda jovem, não muito tempo depois de ter-se casado.

A busca de Priya Nath pela Verdade o conduziu ao grande mestre Lahiri Mahasaya, de Benares, que exaltava a Kriya Yoga – ciência sagrada de meditação – como o meio mais eficaz para alcançar a comunhão com Deus, tendo sido o primeiro  a ensinar abertamente, nos tempos modernos, essa antiga ciência. Com a orientação de Lahiri Mahasaya e por sua própria prática da Kriya, Sri Yukteswar alcançou o supremo estado espiritual, no qual, conforme descreve em A Ciência Sagrada, “[o homem] abandona completamente a ideia vã de seu próprio Eu como existência separada e torna-se unificado com Ele, o Espírito Eterno, Deus-Pai. Essa unificação com Deus é Kaivalya, o objetivo final do homem.”

O livro “A Ciência Sagrada”

Sri  Yukteswar reconheceu  que uma síntese da herança espiritual do Oriente  com a ciência e a tecnologia do Ocidente muito contribuiria para aliviar o sofrimento material, psicológico e espiritual do mundo moderno. Estava convicto de que enormes avanços poderiam ser feitos – tanto individual como internacionalmente  – por meio do intercâmbio das características mais refinadas de ambas as culturas. Essas ideias cristalizaram-se em 1894, no seu extraordinário  encontro com Mahavatar Babaji, guru de Lahiri Mahasaya. Sri Yukteswar narrou a história desse memorável encontro do seguinte modo:

– “Bem-vindo, Swamiji”, disse Babaji, afetuosamente.

– “Senhor”, respondi com ênfase, “eu o sou um swami.”

– “Aqueles a quem eu concedo, por orientação divina, o título de swami nunca o perdem.” O santo dirigiu-se a mim com simplicidade,  mas a profunda convicção da verdade soava em suas palavras; senti-me instantaneamente mergulhado numa onda de bênção espiritual. Sorrindo ante minha súbita elevação à antiga ordem monástica, curvei-me aos pés daquele angélico ser em forma humana, cuja grandeza era óbvia, e que assim me honrara. (…) Yukteswar (“unido a Deus”) no lugar de seu nome de família.

– “Percebi que você está tão interessado no Ocidente quanto no Oriente.” O rosto de Babaji reluzia de aprovação. “Senti a angústia de seu coração, suficientemente amplo para todos os homens. Foi por isso que o chamei aqui.”

– “Oriente e Ocidente devem estabelecer um dourado caminho do meio, numa combinação de atividade e espiritualidade”, continuou ele. “A Índia  tem muito a aprender do Ocidente quanto ao desenvolvimento material; em troca, pode ensinar os métodos universais que possibilitarão ao Ocidente basear suas crenças religiosas nos alicerces inabaláveis da ciência da yoga.

– “Você, Swamiji, tem um papel a desempenhar no intercâmbio harmonioso que se efetuará entre Oriente e Ocidente. Daqui a alguns anos, vou lhe enviar um discípulo que você treinará para divulgar a yoga no Ocidente. As vibrações de muitas almas, sedentas de espiritualidade, chegam de lá até mim, como um dilúvio. Percebo santos em potencial na América e na Europa esperando ser despertados.” (…)

– “A meu pedido, Swamiji, comece, por favor, outra tarefa”, disse o grande mestre. “Não poderia escrever um pequeno livro a respeito da harmonia subjacente às Escrituras cristãs e hindus? Sua unidade básica está agora obscurecida pelas diferenças sectárias dos homens. Mostre, por citações paralelas, que os inspirados filhos de Deus disseram as mesmas verdades!”

Regressando a Serampore, Sri Yukteswar deu início a seus esforços literários. “Na quietude da noite, ocupei-me na comparação da Bíblia com as Escrituras do Sanatan Dharma”,  contou ele mais tarde. “Citando as palavras do bendito Senhor Jesus, mostrei que seus ensinamentos eram, em essência, os mesmos que as revelações dos Vedas. Pela graça de meu paramguru, em pouco tempo terminei o livro The Holy Science (‘A Ciência Sagrada’).”

 

Yukteswar e Yogananda

Com o passar dos anos, Swami Sri Yukteswar começou a aceitar discípulos para treinamento espiritual. Seu lar ancestral em Serampore tornou-se um eremitério; mais tarde, ele construiu um ashram adicional  à beira-mar, em Puri, mais de 300 quilômetros ao sul de Calcutá.

Foi em 1910 que Sri Yukteswar encontrou-se com o discípulo  que Babaji lhe prometera enviar para disseminar a Yoga no Ocidente: Mukunda Lal Ghosh, a quem Sri Yukteswar concedeu o nome monástico de Paramahansa Yogananda. Em sua Autobiografia de um Iogue, Paramahansaji descreveu com detalhes seu encontro com Swami Sri Yukteswar:

“(…)Juntos, Habu e eu saímos para um distante mercado, na seção bengali de Benares. O inclemente sol indiano ainda não estava no zênite enquanto fazíamos nossas compras nos bazares. Íamos abrindo caminho através da colorida miscelânea de donas de casa, guias, sacerdotes, viúvas trajadas com simplicidade, brâmanes com ar de dignidade e ubíquos touros sagrados. Enquanto Habu e eu  prosseguíamos, voltei a cabeça para examinar uma viela estreita e insignificante.

Um homem de aspecto crístico, com as vestes de cor ocre dos swamis, permanecia imóvel no fim da viela. Pareceu-me de uma familiaridade ao mesmo tempo instantânea e antiga; por um momento, meu olhar ávido demorou-se nele. Então a dúvida me assaltou.

“Você está confundindo este monge errante com alguém conhecido”, pensei. “Sonhador, continue seu caminho.”

Dez minutos depois, senti em meus pés uma dormência pesada. Como se tivessem virado pedra, eles eram incapazes de me levar adiante. Laboriosamente dei meia volta; meus pés reconquistaram a normalidade. Voltei-me na direção oposta; de novo, o curioso peso me oprimiu. “O santo está me atraindo magneticamente!” Com este pensamento, empilhei meus pacotes nos braços de Habu. Ele observara assombrado minhas peripécias com os pés, e agora estourava em gargalhadas.

– Que deu em você? Ficou louco? Um tumulto de emoções impediu qualquer resposta; silenciosamente, corri dali.

Voltando sobre meus passos como se estivesse calçado com asas, cheguei à estreita viela. Meu rápido olhar descobriu a tranquila figura, que olhava firmemente em minha direção. Alguns passos ansiosos e eu estava a seus pés.

– Gurudeva! – Sua face divina era aquela que eu tinha visto em milhares de visões. Os olhos de alcíone, numa cabeça leonina com barba em ponta e mechas de cabelo flutuante, haviam frequentemente assomado na escuridão de meus devaneios noturnos, penhores de uma promessa que eu não compreendera inteiramente.

– Você que é meu, você veio a mim! – Meu guru pronunciou estas palavras repetidas vezes, em bengali, com a voz trêmula de alegria. – Quantos anos esperei por você!

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E então nos unimos no silêncio; as palavras nos pareciam grosseiras e supérfluas. A eloquência fluía em cântico insonoro, do coração do mestre ao discípulo. Com uma antena de incontestável percepção interior, senti que meu guru conhecia Deus e me levaria até Ele. A obscuridade desta vida desvaneceu-se numa frágil madrugada de lembranças pré-natais. O tempo é um drama! Passado, presente e futuro são suas cenas cíclicas. Esse não era o primeiro sol a me encontrar prostrado ante aqueles santos pés!”

Yogananda viveu por dez anos no ashram (eremitério) de Yukteswar absorvendo os ensinamentos que lhe serviriam de base para que, posteriormente, viesse ao Ocidente tornar conhecida a milenar ciência iogue. Yukteswar é admirado por pessoas de diferentes religiões e especialmente cultuado nos dias 9 de março (data de falecimento) e 10 de maio (data de nascimento) nos templos da Self-Realization Fellowship.

 

Leia também: Quem foi Paramahansa Yogananda 

 

“Sri Yukteswar era de semblante e voz suaves, de presença agradável e digno da veneração que seus discípulos espontaneamente lhe tributavam. Quantos o conheceram, fossem ou não de sua comunidade, o tinham na mais alta estima. Recordo vividamente sua figura alta, ereta, ascética, envolta no hábito cor de açafrão dos que renunciaram às conquistas mundanas.”

 

 

 

W.Y. Evans-Wentz, autor de clássicos sobre yoga e sobre a tradicional sabedoria do Oriente, no prefácio do livro Autobiografia de um Iogue

 

A Ciência Sagrada

Com incomparável sabedoria e discernimento, Sri Yukteswar, mestre de Paramahansa Yogananda, explica a evolução universal da consciência, da energia e da matéria – o espectro integral da experiência a que chamamos de “vida”. O autor apresenta uma visão holística do homem e do universo e mostra de que maneira essa visão apoia os princípios do viver natural no corpo, na mente e na alma. Fundamentado nas verdades mais profundas da religião, o livro oferece ainda conselhos práticos para a aplicação na vida diária, descrevendo os princípios físicos, mentais, morais e espirituais que governam a expansão da consciência humana.
“A Ciência Sagrada” demonstra, pela interpretação de passagens paralelas das escrituras hindus e cristãs, a unidade essencial dos grandes ensinamentos religiosos do Oriente e do Ocidente. Sobre seu mestre, Yogananda escreveu: “Swami Sri Yukteswar (…) colocando os textos sagrados sobre a mesa imaculada de sua mente, era capaz de dissecá-los com o bisturi do raciocínio intuitivo, separando as verdades – tal como foram originalmente expostas pelos profetas – das interpretações equivocadas dos eruditos.”

 

Autobiografia de um Iogue

Autobiografia de um Iogue

Em “Autobiografia de um Iogue”, Paramahansa Yogananda oferece um verdadeiro portal para a compreensão da filosofia indiana narrando sua infância, a peregrinação em busca de seu mestre espiritual, a vida de cada um dos mestres de sua linhagem (Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar), a fundação de uma escola baseada nos princípios da ciência da Yoga, sua vinda para a América e uma peregrinação pela Europa e Oriente, onde teve contato com grandes santos e mestres espirituais da época. É também um passo inicial seguro para quem deseja conhecer a ciência da Kriya-Yoga, técnicas científicas avançadas de meditação iogue. Edição completa, editada pela Self-Realization Fellowship, organização espiritual sem fins lucrativos fundada por Paramahansa Yogananda em 1920, com sede internacional nos EUA.
Considerado um best-seller, integrante da lista dos cem maiores livros espirituais já publicados em todo o mundo, é editado há mais de 60 anos, atualmente em quase 30 línguas e é uma das maiores revelações já publicadas no Ocidente sobre as profundezas da mente e do coração hindus e a riqueza espiritual da Ciência da Yoga. Livro de cabeceira de famosos como George Harrison, Steve Jobs, Gilberto Gil, entre outros.

 

 

 

 

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