Como os grandes avatares, aqueles que já se libertaram das ilusões terrenas e voltam a viver nesse plano apenas para ensinar à humanidade sobre os valores eternos universais, Babaji é admirado por pessoas de diferentes religiões ao redor do mundo. Comemora-se o seu dia em 25 de julho, muito embora não haja dados sobre data – nem local – de nascimento. Há quem se refira a ele como um Mahavatar: aquele que dá assistência a outros grandes mestres para que possam cumprir suas missões.

Babaji significa “reverendo pai”, por isso é importante saber que há cantos de devoção e menções a Babajis diferentes. Trataremos do grande mestre que resgatou das escrituras sagradas da Índia a milenar ciência da Kriya Yoga e a tornou possível chegar ao Ocidente por meio de Paramahansa Yogananda, autor do clássico Autobiografia de um Iogue.
Está neste livro, inclusive, a única imagem do Mahavatar somada às valiosas descrições de Yogananda – que, com a ajuda de um desenhista, tornou possível esse registro quase fotográfico: “um jovem de, aproximados, 25 anos, pele clara, constituição e estatuta medianas, o corpo irradia brilho, olhos escuros, serenos e ternos e o cabelo lustroso é cor de cobre.”

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Foi com a bênção de Babaji que Paramahansa Yogananda veio ao Ocidente trazer essa infinita sabedoria que antes estava reservada apenas a alguns poucos orientais. Yogananda fundou, em 1920, nos EUA, a Self-Realization Fellowship – uma instituição que preserva seus ensinamentos e os difunde pelo mundo por meio de livros e lições* que podem ser solicitadas por correspondência aos que tiverem interessados em aprender as técnicas científicas de meditação da Kriya-Yoga.

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Mestres da linhagem da Self-Realization Fellowship (da esquerda para a direita): Lahiri Mahasaya (discípulo de Babaji), Babaji, Jesus, Krishna, Yogananda (discípulo de Sri Yukteswar) e Sri Yukteswar (discípulo de Lahiri Mahasaya). Os mestres dessa linhagem tiveram, como missão, além de difundir as técnicas científicas de meditação da Kriya-Yoga, mostrar a unidade existente entre todas as verdadeiras religiões por meio do estudo comparado dos ensinamentos de Jesus e Krishna, contidos nos evangelhos e na principal escritura da Índia: o Bhagavad Gita, respectivamente.

Veja algumas passagens que Yogananda descreveu sobre esse grande mestre na Autobiografia de um Iogue:

Babaji e Lahiri Mahasaya

O primeiro encontro entre Babaji e Lahiri Mahasaya aconteceu em 1861, quando Lahiri – contador do departamento de engenharia militar do governo – foi transferido a Ranikhet, Himalaia.

A carga tranquila de trabalho, permitia que ele passeasse pelas montanhas durante a tarde e foi em uma dessas caminhadas que ele avistou uma clareira pontilhada por cavernas. Ali, havia um jovem sorridente que lhe estendia a mão em um gesto de boas-vindas:

“– Lahiri, você chegou! – O santo dirigia-se a mim afetuosamente em hindi. – Descanse aqui nesta caverna. Fui eu quem o chamou.

“Entrei numa pequena gruta limpa, contendo diversas mantas de lã e alguns kamandalus (moringas para água).

“– Lahiri, lembra-se deste assento? – O iogue apontou para um cobertor dobrado num canto da gruta.

“– Não senhor. – Um pouco confuso pela estranheza de minha aventura, acrescentei: – Preciso ir-me agora, antes do crepúsculo. Tenho o que fazer, de manhã, no escritório.

“O misterioso santo respondeu em inglês: – O escritório foi trazido por causa de você, e não você por causa do escritório.

“Emudeci, aturdido pelo fato de este asceta da floresta não só falar inglês mas também parafrasear as palavras de Cristo.

“– Vejo que meu telegrama surtiu efeito. – O comentário do iogue era incompreensível para mim; perguntei o que significava.

“– Refiro-me ao telegrama que o trouxe a estas regiões isoladas. Fui eu quem silenciosamente sugeriu à mente de seu chefe sua transferência para Ranikhet. Quando alguém sente sua união com a humanidade, todas as mentes se convertem em estações transmissoras, por meio das quais é possível operar à vontade. – E acrescentou: – Lahiri, certamente esta caverna lhe parece familiar, não?

“Enquanto eu permanecia em desnorteado silêncio, o santo aproximou-se e delicadamente golpeou minha testa. Com esse toque magnético, uma corrente maravilhosa atravessou-me o cérebro, libertando as doces lembranças latentes da minha vida anterior.“– Eu me lembro! – Minha voz quase se afogava em soluços de alegria. – O senhor é meu guru Babaji, que sempre me pertenceu! Cenas do passado surgem, vívidas, em minha mente; aqui nesta caverna passei muitos anos da minha última encarnação! – Tomado por inefáveis reminiscências, em lágrimas abracei os pés do meu mestre.

“– Durante mais de três décadas esperei que você regressasse a mim! – A voz de Babaji vibrava de amor celestial.

“– Você deslizou para longe, desaparecendo nas ondas tumultuosas da vida pós-morte. Tocou-o a varinha mágica de seu karma, e você se afastou! Embora você me perdesse de vista, eu nunca o perdi! Através do mar astral luminescente, onde singram anjos gloriosos, eu o persegui. Em meio a trevas, tempestades, tumultos e luz, eu o segui, como a mãe-pássaro protegendo o filhote. Quando você terminou o período humano de vida intrauterina e emergiu como um bebê, meu olhar o acompanhava. Quando, na infância, você cobriu com as areias de Ghurni seu diminuto corpo na postura de lótus, eu estava invisivelmente presente. Mês após mês, ano após ano, pacientemente zelei por você, esperando este dia perfeito. Agora você está comigo! Aqui está a sua amada caverna do passado; mantive-a sempre limpa e pronta para você. Aqui está seu asana, a manta santificada na qual todos os dias você se sentava para encher com Deus o seu coração que se expandia. Aqui está sua escudela, na qual frequentemente você bebia o néctar preparado por mim. Veja como conservei polida e brilhante a xícara de latão para que dela, algum dia, você pudesse beber outra vez. Meu querido, compreende agora?

“– Meu guru, que posso dizer? – murmurei com voz entrecortada. – Onde já se ouviu falar de tal amor imortal? – Extasiado, contemplei longamente meu perpétuo tesouro, meu guru na vida e na morte.

Lahiri Mahasaya também costumava ressaltar: “Sempre que se pronuncia o nome de Babaji com devoção e reverência, o devoto atrai uma bênção espiritual instantânea.”

Sintonize com Babaji (mantra composto e executado por Yuri, gestor da Omnisciência):

Babaji e Sri Yukteswar

Em 1894, Sri Yukteswar viajou a Allahabad para conhecer o Kumba Mehla – principal festividade religiosa indiana. Em meio àquela multidão, tecia julgamentos de que tudo não passava de um caos quando um homem se aproximou dizendo que havia um Mestre querendo falar com ele. Debaixo de uma árvore, estava Babaji, que o orientou: “Tudo na terra tem caráter misto, como a combinação de areia e açúcar. Seja como a sábia formiga que pega somente o açúcar, deixando intacta a areia. Apesar de muitos desses sadhus (místicos) ainda vagarem na ilusão, o mela é abençoado por alguns homens de realização divina.”

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Kumbha Mela, a principal festividade religiosa da Índia

Mais adiante na conversa, Babaji e Yukteswar falaram a respeito da difusão de ensinamentos orientais no Ocidente:

Babaji: – “Percebi que você está tão interessado no Ocidente quanto no Oriente.” O rosto de Babaji reluzia de aprovação. “Senti a angústia de seu coração, suficientemente amplo para incluir todos os homens. Foi por isso que o chamei aqui.”

Yukteswar: – “Oriente e Ocidente precisam estabelecer um dourado caminho do meio, numa combinação de  atividade e espiritualidade”, continuou ele. “A Índia tem muito a aprender do Ocidente quanto ao desenvolvimento material; em troca, pode ensinar os métodos universais que possibilitarão ao Ocidente basear suas crenças religiosas nos alicerces inabaláveis da ciência da yoga.”

Babaji: – “Você, Swamiji, tem um papel a desempenhar no intercâmbio harmonioso que se efetuará entre Oriente e Ocidente. Daqui a alguns anos, vou lhe enviar um discípulo que você treinará para divulgar a yoga no Ocidente. As vibrações de muitas almas, sedentas de espiritualidade, chegam de lá até a mim, como um dilúvio. Percebo santos em potencial na América e na Europa esperando ser despertados.”

(Babaji se referia ao maior discípulo de Sri Yukteswar: Paramahansa Yogananda)

Babaji e Yogananda

O mestre de Yogananda havia pedido a ele que fosse para a América. Ele estava receoso em deixar sua amada Índia, pois tinha ouvido histórias sobre o Ocidente materialista e rezava, intensamente, pedindo a Deus a sua bênção e a garantia de que “não me perderia nas brumas do utilitarismo moderno” – como relata em sua Autobiografia. Depois de uma noite e uma manhã em profunda comunhão com o Criador, Yogananda ouve baterem à sua porta:

“Deve ser Babaji! pensei, ofuscado, pois o homem à minha frente tinha os traços de um jovem Lahiri Mahasaya. Ele respondeu ao meu pensamento: – Sim, sou Babaji. – Falava melodiosamente em hindi. – Nosso Pai Celestial ouviu sua oração. Ele ordena que lhe diga: “Obedeça a seu guru e vá para a América. Não tema: será protegido.

Após uma pausa vibrante, Babaji dirigiu-se a mim novamente: – Foi você quem eu escolhi para difundir a mensagem da Kriya Yoga no Ocidente. Há muito tempo encontrei seu guru Yukteswar num Kumbha Mela e lhe disse então que enviaria você a ele para treinamento.”

Depois desse episódio, Yogananda decidiu ir para a América a fim de cumprir a profecia da sua linhagem (Lahiri Mahasaya e Babaji) de que ele seria uma locomotiva a trazer milhares de pessoas para o caminho da meditação científica da Kriya-Yoga.

 

Para conhecer a história completa desses grandes mestres, leia Autobiografia de um Iogue (clique aqui) – considerado um dos cem melhores livros espirituais do século XX.

Assista ao filme Awake – A Vida de Yogananda adquirindo o DVD na Omnisciência! Trailer:

Lições de meditação científica da Self-Realization Fellowship: clique aqui.

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