“Simplifique sua vida e seja um rei”

Paramahansa Yogananda

 

No complexo mundo em que vivemos, falar em retorno à simplicidade pode parecer uma rejeição aos recursos que a tecnologia nos oferece, que pode nos ajudar a realizar coisas boas e construtivas para a Humanidade.

Podemos utilizar a tecnologia para nosso trabalho como pais e educadores para mostrar um vídeo que sensibilize para a beleza da diversidade da fauna e flora, para um conteúdo que reforce a prática das virtudes e muitas outras coisas que possam fortalecer a criança no caminho do Bem.

Mas, mesmo utilizando-se ocasionalmente dos recursos tecnológicos, nada pode substituir o contato direto com a criança, para que possamos compreender o seu ritmo que, na verdade, é a oportunidade de redescobrirmos nosso próprio ritmo essencial.

Na simplicidade da criança, podemos reaprender como é ser simples. Podemos nos libertar da escravidão à tecnologia, compreendendo que ela é apenas uma ferramenta, e não o conhecimento em si mesmo. E lembrar de promover, entre as crianças, que o maior conhecimento que podemos ter é o autoconhecimento.

Por meio do brincar livre, da observação da Natureza, de pequenas práticas contemplativas que as preencherão de alegria, elas Irão descobrir sua profunda riqueza interior. E esse será o alicerce para enfrentar todos os desafios na vida adulta.

Grandes mestres, como Gandhi e Francisco de Assis, nos inspiram nessa forma simples para a arte do educar. Com eles, podemos nos inspirar a olhar com atenção nos olhos da criança, sentindo seus anseios, procurando transmitir confiança, paz, alegria e amor.

E para que possamos ter qualidade no sentir a criança, devemos nos despojar das ilusórias malas que carregamos, recheadas de desejos de adquirir coisas que nem precisamos, de termos títulos que não nos ajudarão a ser mais felizes. Temos que aprender a seguir pela vida com uma leve e sutil mala, que carrega apenas o essencial para nossa felicidade: nossas virtudes e nosso potencial infinito para adquirir todas as qualidades que estão adormecidas dentro de nós.

A infância é o tempo da construção do caráter. É nesse período – enquanto se constrói o conhecimento das línguas, da matemática, da geografia – que vai sendo adquirido também o aprendizado da criatividade, da perseverança, da paciência, da flexibilidade, da amizade e do amor.

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A verdadeira educação, a que busca trazer para fora o que a criança traz guardada dentro de si, não pode ser realizado por um adulto distraído, que não irá perceber que uma criança está mais agitada pelo excesso de uso de jogos eletrônicos ou brincando de forma muito agressiva, que no fundo é um pedido de ajuda para algo que está acontecendo em sua vida. Nossas almas de pais e educadores precisam estar sensíveis para poder ler no seu olhar e nas entrelinhas do seu comportamento, o que a criança precisa, como estão suas amizades, guiando-as com afeto, carinho e proteção.

Praticamente todo o banco de dados que adquirimos na infância se esvai ao longo dos anos da maturidade… O que fica? O olhar da professora, o carinho dos pais, as brincadeiras com irmãos e amigos… o essencial. Então, o que é essencial no aprendizado infantil? O que é essencial em nossas vidas?

É o amor com que a criança recebe esse conhecimento. Pois é isso que ela irá assimilar e irá retransmitir às outras gerações que virão. E para nós, adultos, é essencial essa troca de entusiasmo e pureza para nos relembrar de nossos sonhos, não perdê-los de vista, mantendo sempre um olhar otimista para com a vida.

Francisco de Assis foi um dos maiores mestres da Arte da Simplicidade. Depois de uma vida abastada, que percebeu não ter sentido, redescobriu em toda Natureza, na diversidade dos seres vivos, no olhar de cada ser humano que encontrava, a mesma essência de amor que permeia toda existência. Sentiu a presença de uma energia criadora que dá unidade e contorno a tudo o que existe.

E foi a partir dessa simples descoberta que pôde realizar milagres, transformar pessoas, conversar com animais, com o Irmão Vento, Irmão Sol, Irmã Lua, e até com a Irmã Morte, na hora de sua partida.Com certeza, o caminho não foi fácil. Sri Gyanamata, uma grande mestre iogue contemporânea, ensina: “Não existe espiritualidade sem heroísmo”.

Por trás de cada grande mestre da espiritualidade, encontramos um verdadeiro herói que venceu a si mesmo. Quando nos conectamos a eles, podemos redescobrir esse herói em nós mesmos e, assim, compartilhar com nossas crianças um caminho seguro. O caminho dos heróis que nunca os desapontarão, porque, apesar de terem sido feitos de carne e osso como nós mesmos, aprenderam a forjar seu caráter com o aço das virtudes e da sabedoria universal. Este é o caminho dos verdadeiros Heróis da Humanidade.

Maeve Vida e Ligia Miragaia, autoras da coleção Heróis da Verdade, que procuram trazer o exemplo de vida dos grandes mestres espirituais das diversas culturas para o universo das crianças e jovens.
Livros publicados por essa coleção: Gandhi, o Herói da Paz e Francisco, o Herói da Simplicidade e Coleção Vencendo Desafios: Livro e CD “Não ao Consumismo; Sim ao Heroísmo”

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