Kasturbai, a notável esposa de Mahatma, não pôs objeções quando ele deixou de reservar uma parte de sua riqueza para uso dela mesma e de seus filhos. Casados no início da adolescência, Gandhi e sua mulher fizeram o voto de celibato após o nascimento de quatro filhos. Heroína tranquila no intenso drama que foi sua vida ao lado de Gandhi, Kasturbai seguiu seu esposo nas prisões, partilhou seu jejum de três semanas e arcou integralmente com seu quinhão nas intermináveis responsabilidades do marido. Ela prestou-lhe o seguinte tributo:

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“Agradeço-lhe por ter tido o privilégio de ser sua colaboradora e companheira na vida. Agradeço-lhe pelo mais perfeito casamento do mundo, baseado em brahmacharya (autocontrole) e não no sexo. Agradeço-lhe por me considerar sua igual no trabalho de toda a sua vida pela Índia. Agradeço-lhe por não ser um desses maridos que passam o tempo em jogos, corridas de cavalos, mulheres, vinho e canções, cansando-se de suas esposas e filhos como um menino logo se cansa dos brinquedos infantis. Como sou agradecida por você não ser um desses maridos que dedicam seu tempo a enriquecer com a exploração do trabalho alheio!

Que agradecida estou por você haver colocado Deus e a pátria acima do suborno, por haver tido a coragem de suas convicções e fé completa e implícita em Deus. Que agradecida estou por ter um esposo que colocou Deus e a pátria antes de mim. Agradeço-lhe por tolerar a mim e às minhas limitações na juventude, quando eu resmungava e me rebelava contra as mudanças que você fez em nosso modo de vida, de tanto para tão pouco.

Quando criança, vivi na casa de seus pais; sua mãe era uma grande e bondosa mulher; ela me educou, ensinando-me a ser uma esposa valente, corajosa, e a conservar o amor e o respeito de seu filho, meu futuro esposo. No decurso dos anos, à medida que você se tornava o líder mais amado da Índia, não senti qualquer dos temores que pertubam a esposa quando seu marido sobe a escada do sucesso, como tantas vezes acontece em outros países. Eu sabia que a morte nos encontraria ainda como esposo e esposa.”

 

Trecho extraído do livro “Autobiografia de um Iogue”, de Paramahansa Yogananda.